Há um momento em quase todos os lançamentos na KDP que se parece muito com este: é meia-noite, o livro está finalmente paginado, a capa está carregada e no ecrã de detalhes aparecem sete caixas vazias por baixo do título «Palavras-chave». Escreves a primeira coisa que te vem à cabeça («romance», «mistério», «suspense»), escolhes duas categorias que parecem adequadas e carregas em publicar.
Esse livro pode ser muito bom e mesmo assim não vender um único exemplar fora do teu círculo, por uma razão muito prosaica: ninguém que não te conheça vai lá chegar. Na Amazon, os leitores não passeiam entre estantes. Escrevem alguma coisa na barra de pesquisa ou percorrem a lista de uma categoria, e essas sete caixas e três categorias decidem em quais desses sítios o teu livro existe.
Este guia é sobre fazer isto bem sem pagar ferramentas: como descobrir o que as pessoas escrevem de verdade, como distribuí-lo pelas caixas e como escolher categorias em que o teu livro tenha hipóteses. Mais abaixo há um exemplo completo, caixa a caixa.
Resumo rápido: Na Amazon KDP tens 7 caixas de palavras-chave (até 50 caracteres cada) e 3 categorias. Usa-as para expressões que os leitores escrevem de verdade, tiradas do preenchimento automático da Amazon e dos livros que concorrem com o teu, sem repetir palavras que já estejam no título ou no subtítulo. Escolhe categorias em que os primeiros livros vendam a um ritmo que consigas alcançar, não as maiores. As palavras-chave põem-te nos resultados; o que te mantém lá em cima são as vendas e os cliques, por isso a capa, o título e a descrição contam tanto como as caixas.
---
Como a Amazon decide que livro mostrar (o que se sabe e o que não se sabe)
A Amazon não publica como funciona o seu motor de pesquisa, por isso desconfia de quem te diga que o sabe com exatidão. Mas há duas coisas que qualquer pessoa pode confirmar depois de publicar alguns livros.
A primeira: para apareceres numa pesquisa, as palavras que alguém escreve têm de estar num dos campos do teu livro. Os que contam com certeza são o título, o subtítulo, o nome da série, o autor e as sete palavras-chave. Se alguém pesquisa «horta na varanda» e essas palavras não estão em nenhum desses sítios, o normal é o teu livro não aparecer, por muito que fale disso em todas as páginas.
A segunda: uma vez dentro dos resultados, a ordem é decidida sobretudo pelas vendas e pela reação das pessoas. Um livro que aparece numa pesquisa, recebe cliques e é comprado, sobe. Um que aparece e ninguém clica vai-se afundando aos poucos.
Daqui nasce a ideia que convém ter presente ao longo de todo este guia: as palavras-chave abrem-te a porta, mas não te sentam à mesa. Servem para entrares em pesquisas onde o teu livro faz sentido. O que acontece depois depende da capa, do título, do preço, das avaliações e da descrição. Por isso, meter palavras que não têm a ver com o teu livro não só não ajuda: põe-te à frente de pessoas que não vão comprar, e isso acaba por contar contra ti.
---
O que a KDP te deixa pôr (e o que te pode custar uma rejeição)
Antes de pesquisar o que quer que seja, convém ter os limites claros:
| Campo | Limite | O que ter em conta |
|---|---|---|
| Título + subtítulo | 200 caracteres no total | O subtítulo deve descrever o livro, não ser uma lista de palavras-chave |
| Palavras-chave | 7 caixas, até 50 caracteres cada | Podes alterá-las quando quiseres |
| Categorias | 3 | Escolhem-se no próprio ecrã de detalhes da KDP |
| Descrição | 4000 caracteres | Aceita negrito, itálico e listas simples |
E isto é o que as regras da KDP não permitem nas palavras-chave, porque pode resultar num aviso ou em a Amazon alterar os teus dados:
- Nomes de outros autores, títulos de outros livros ou marcas registadas («como Harry Potter», «estilo Stephen King»).
- Nomes de programas da Amazon, como «Kindle Unlimited» ou «KDP Select».
- Afirmações subjetivas ou que caducam: «o melhor», «best-seller», «novidade», «grátis».
- Informação falsa ou que não tem nada a ver com o livro.
Há outra coisa que convém saber antes de publicar: nos livros impressos, o título e o subtítulo ficam fixados assim que o livro sai. No ebook ainda se podem retocar, mas em capa mole ou capa dura mudá-los obriga a publicar uma nova edição. As palavras-chave e as categorias, pelo contrário, podem ajustar-se sempre. Portanto, pensa no título com calma; as caixas vais afinando.
---
Pensa como alguém que não sabe que existes
O erro de fundo é quase sempre o mesmo: o autor preenche as caixas a descrever o livro com as suas próprias palavras. Mas o leitor não procura o teu livro. Procura uma solução, um tipo de história ou uma sensação, e escreve-o como lhe sai.
Ajuda dividir as pesquisas em três tipos.
Pesquisas de problema. São as mais valiosas na não ficção. Quem escreve «como deixar de procrastinar» ou «dieta anti-inflamatória receitas» tem uma necessidade concreta e quer resolvê-la hoje. Se o teu livro a resolve, essa expressão tem de estar nas tuas caixas ou no subtítulo.
Pesquisas de género e subgénero. As mais habituais na ficção: «policial nórdico», «romance no escritório», «fantasia épica com dragões». Quanto mais concreto for o subgénero, menos gente o procura, mas maior é a probabilidade de o teu livro ser exatamente o que queriam.
Pesquisas de tom, tropo ou leitor. «Romance de segundas oportunidades», «mistério acolhedor numa aldeia», «livro de atividades para crianças de 6 anos». É aqui que estão muitas das pesquisas que as ferramentas não veem e os leitores escrevem.
Um bom conjunto de palavras-chave costuma misturar os três tipos. E quase nunca inclui palavras soltas e genéricas como «romance» ou «livro», que concorrem com milhões de títulos e não dizem nada sobre porque é que alguém havia de escolher o teu.
---
Como descobrir o que as pessoas procuram de verdade, sem pagar nada
Há ferramentas pagas que estimam o volume de pesquisa na Amazon, e algumas são boas. Mas tudo o que precisas para os teus primeiros livros pode tirar-se da própria Amazon com um pouco de paciência. Este é o processo que recomendamos, por ordem:
- Usa o preenchimento automático da Amazon numa janela privada. Abre a Amazon numa janela anónima, para que as tuas pesquisas anteriores não influenciem, escolhe o departamento «Loja Kindle» ou «Livros» e começa a escrever devagar o tema do teu livro. As sugestões que aparecem são pesquisas que as pessoas fazem de verdade, e com frequência. Aponta todas as que encaixem.
- Experimenta o truque do alfabeto. Escreve o teu tema seguido de uma letra: «horta na varanda a», «horta na varanda b»… Cada letra traz sugestões novas. Dez minutos assim dão mais ideias do que uma hora a pensar.
- Vê o que aparece em cada pesquisa. Pesquisa cada expressão candidata e observa os dez primeiros resultados. Se forem livros como o teu, a expressão é boa. Se aparecerem coisas que não têm nada a ver, quem a usa procura outra coisa.
- Confirma se esses livros vendem. Entra em três ou quatro dos primeiros resultados e procura o «Ranking dos mais vendidos» nos detalhes do produto. Esse número diz-te se a pesquisa mexe com leitores. Entre autores circulam estimativas que servem para comparar, não como números exatos: na amazon.com, um livro abaixo da posição 10 000 da Loja Kindle vende vários exemplares por dia, e acima da 300 000 praticamente não se mexe. Em lojas mais pequenas, como a amazon.com.br ou a amazon.es, as mesmas vendas dão uma posição muito melhor.
- Lê as avaliações dos teus concorrentes. Sobretudo as de três e quatro estrelas. É aí que os leitores contam, com as suas palavras, o que procuravam e o que lhes faltou: «esperava mais dicas para principiantes», «gostava que tivesse explicado a rega». Essas frases valem ouro para as caixas e, às vezes, mostram-te que capítulo falta ao teu livro.
- Aponta tudo numa tabela. Uma coluna para a expressão, outra para indicar se os resultados se parecem com o teu livro e outra para a posição dos primeiros. Com vinte ou trinta candidatas já tens material para escolher.
Se fizeres este trabalho antes de escrever, e não na noite em que publicas, há um prémio extra: vais saber que perguntas faz o teu leitor e podes transformá-las em capítulos. Um livro cujo índice responde ao que as pessoas procuram vende melhor, e não só por causa das palavras-chave.
---
✍️ Pronto para escrever o livro deste artigo?
A YourNovel.app escreve com você — um manuscrito completo, pronto para a KDP, com uma IA que se lembra de todo o seu livro. Comece grátis, sem cartão de crédito.
Um exemplo completo: as 7 caixas de um livro
Imagina que escreveste um guia prático chamado Horta na Varanda, com o subtítulo Cultiva os teus próprios legumes em pouco espaço mesmo que nunca tenhas plantado nada. Está à venda na Amazon, em ebook e capa mole.
É assim que muita gente preencheria as caixas da primeira vez:
| Caixa | Primeira versão | Problema |
|---|---|---|
| 1 | horta | Uma só palavra, e já está no título |
| 2 | varanda | Já está no título |
| 3 | jardinagem | Demasiado genérica |
| 4 | livro de horta | «Livro» não acrescenta nada |
| 5 | legumes | Já está no subtítulo |
| 6 | plantas | Genérica e pouco relacionada |
| 7 | o melhor livro de horta urbana | Afirmação subjetiva, não permitida |
E é assim que ficaria depois do processo acima, com expressões tiradas do preenchimento automático e das avaliações dos livros concorrentes. No teu caso, confirma-as tu: o preenchimento automático muda com o tempo e de uma loja para outra.
| Caixa | Versão trabalhada | Porquê |
|---|---|---|
| 1 | horta urbana em vasos para principiantes | Pesquisa de problema, sem repetir o título |
| 2 | cultivar tomates alfaces e ervas aromáticas no terraço | O que as pessoas querem cultivar, com as palavras delas |
| 3 | calendário de sementeira e colheita mês a mês | Uma dúvida concreta que o livro resolve |
| 4 | rega adubo e pragas sem químicos | Aparece vezes sem conta nas avaliações |
| 5 | horticultura biológica em casa com pouco espaço | A mesma ideia com outro vocabulário |
| 6 | canteiros elevados e floreiras para apartamento | O que procura quem vive num apartamento pequeno |
| 7 | presente para quem gosta de plantas | Pesquisa de leitor e de ocasião |
Repara em três coisas. Nenhuma caixa repete «horta», «varanda» ou «legumes», porque a Amazon já tem essas palavras através do título e do subtítulo. Cada caixa é uma expressão de várias palavras, não uma palavra solta, e por isso aproveita os 50 caracteres. E todas descrevem algo que o livro cumpre de facto: se o livro não falasse de pragas, a caixa 4 estaria a mais, por muito boa que fosse a pesquisa.
Não é preciso separar com vírgulas nem pôr aspas. A Amazon lê as palavras; a pontuação não acrescenta nada e ocupa espaço.
E na ficção? O processo é o mesmo, mas as caixas enchem-se com subgénero, ambiente, tropos e tom. Para um mistério passado numa aldeia do Minho com uma protagonista reformada, funcionam muito melhor expressões como «mistério acolhedor numa aldeia do Minho», «detetive amadora reformada» ou «romance policial sem violência explícita» do que «mistério», «thriller» ou «suspense».
---
As 3 categorias: onde o teu livro tem hipóteses
Até 2023 havia um truque muito usado: escrever ao apoio da KDP a pedir que acrescentassem o livro a dez categorias. Isso acabou. Agora escolhes três categorias diretamente no ecrã de detalhes, e são essas que contam.
Escolhê-las bem importa por duas razões. Primeiro, porque muitos leitores compram a percorrer as listas dos mais vendidos de uma categoria concreta. Segundo, porque ser o número um de uma categoria dá-te a etiqueta laranja de «Mais vendido», que atrai cliques em todo o lado. E essa etiqueta é muito mais fácil de conseguir numa categoria pequena do que numa grande.
Como escolhê-las:
Vê onde estão os livros que concorrem com o teu. Na página de qualquer livro, no «Ranking dos mais vendidos», aparecem as categorias em que está e a posição em cada uma. Revê dez livros parecidos com o teu e aponta as categorias que se repetem.
Mede cada categoria pelo seu livro número 20. Abre a lista dos mais vendidos da categoria e vê a posição geral do livro que está em 20.º lugar. Se for 2000, a categoria é duríssima: precisarias de vender dezenas de exemplares por dia só para aparecer. Se for 80 000, bastam umas poucas vendas diárias na semana de lançamento para te dares a ver.
Mistura. Uma boa combinação costuma ser uma categoria ampla, que é onde está o público a sério, e duas mais concretas, onde o teu livro pode destacar-se cedo.
Não faças batota. Pôr um livro de jardinagem numa categoria pequena que não lhe corresponde pode dar-te a etiqueta laranja durante uns dias, mas põe-te à frente de leitores que não o queriam, e a Amazon pode mudá-lo de sítio. Além disso, as avaliações de quem esperava outra coisa fazem mais estragos do que a etiqueta compensa.
---
Os erros que mais se repetem
Alguns já apareceram, mas vale a pena tê-los todos juntos:
- Repetir nas caixas o que já está no título ou no subtítulo. É espaço perdido.
- Pôr uma palavra por caixa. Desperdiças quase todo o espaço e competes em pesquisas genéricas impossíveis.
- Encher o subtítulo de palavras-chave. «Guia de horta urbana, varanda, terraço, vasos, biológico, principiantes, 2026» parece desesperado na capa, pode levar a uma rejeição e, em impresso, já não se pode mudar.
- Escrever as palavras-chave noutra língua. Se o livro está em português, os leitores procuram-no em português. Caixas em inglês só fazem sentido para um livro em inglês.
- Preenchê-las uma vez e esquecer. As caixas não são definitivas. O normal é revê-las um mês depois do lançamento, já com dados.
- Esperar que as caixas salvem um livro fraco ou uma capa fraca. Podem pôr-te à frente de mil pessoas. Se a capa não chamar a atenção e a descrição não convencer, nenhuma compra.
---
Depois de publicar: afina com dados, não com intuição
As alterações às palavras-chave de um livro já publicado demoram até 72 horas a aplicar-se, por isso não faz sentido mexer-lhes todos os dias. Um bom ritmo é este.
Três ou quatro dias depois de publicar, confirma que o livro aparece quando pesquisas o título exato e um par das tuas expressões. Se nem com o título aparece, espera mais um pouco: a indexação completa às vezes demora.
Ao fim de um mês, se experimentaste os anúncios da Amazon (Amazon Ads), olha para o relatório de termos de pesquisa. É a única fonte que te diz exatamente o que escreveram as pessoas que acabaram por comprar o teu livro. As expressões que aparecem aí e não estão nas tuas caixas são as primeiras candidatas a substituir as que não funcionam.
Quando publicares o segundo livro da série, aproveita o que aprendeste. O nome da série também conta na pesquisa, e um catálogo de livros relacionados com dados coerentes reforça-se a si próprio. Se vês a KDP como um negócio, é isto que faz com que cada livro novo custe menos a lançar do que o anterior, como explicamos em quantos livros precisas na KDP para viver disso.
---
Onde entra o YourNovel em tudo isto
Sejamos claros: o YourNovel.app não preenche as tuas caixas de palavras-chave, e desconfia de qualquer ferramenta que prometa fazê-lo sem olhar para o que o teu leitor procura. Essa pesquisa é tua, e é a parte que mais valor acrescenta.
Onde te ajudamos é no que vem antes e depois:
- Antes de escrever, o gerador de títulos de livros dá-te ideias de título por género, para teres por onde escolher antes de fixares título e subtítulo. E a calculadora de lucros da KDP diz-te quanto te rende cada venda consoante o formato e o preço, o que também pesa na decisão de compra quando alguém finalmente te encontra.
- Enquanto escreves, as perguntas que encontraste no preenchimento automático e nas avaliações podem transformar-se no esquema do livro. No YourNovel planeias capítulo a capítulo e a IA tem presente o livro inteiro, por isso o que prometes no subtítulo acaba cumprido no texto.
- Antes de publicar, as restantes ferramentas para KDP ajudam-te a rever o manuscrito e a fazer contas.
---
Perguntas frequentes
Posso repetir nas palavras-chave palavras que já estão no título? Podes, mas é desperdiçar espaço. A Amazon já tem em conta o título e o subtítulo, por isso as caixas rendem mais com palavras novas.
Tenho de preencher as 7 caixas? Não é obrigatório, mas não há razão nenhuma para as deixar vazias. Cada caixa é mais uma oportunidade de aparecer numa pesquisa em que o teu livro encaixa.
Quanto tempo demora a notar-se uma alteração de palavras-chave? A KDP demora até 72 horas a aplicar as alterações. O efeito nas vendas costuma precisar de várias semanas para se distinguir do ruído, sobretudo se vendes poucos exemplares.
Vale a pena pagar ferramentas como o Publisher Rocket? Podem poupar-te tempo, sobretudo se publicas muitos livros, porque estimam o volume de pesquisa e a concorrência. Para começar não são imprescindíveis: o preenchimento automático, os rankings e as avaliações dão-te quase toda a informação.
Posso mudar as categorias depois de publicar? Sim, tal como as palavras-chave. Podes alterá-las quando quiseres no ecrã de detalhes do livro na KDP.
As palavras-chave devem estar na língua da loja ou na do livro? Na língua do livro, que é aquela em que os leitores pesquisam. Um livro em português procura-se em português, também na amazon.com.
---
Ninguém encontra o teu livro por acaso
Numa loja com milhões de títulos, ninguém dá com o teu livro por sorte. Encontra-o porque escreveu alguma coisa numa barra de pesquisa e o teu livro estava lá, com uma capa que lhe chamou a atenção e uma descrição que o convenceu. As sete caixas e as três categorias são a parte desse caminho que só depende de ti, e fazê-las bem leva uma tarde.
Se ainda estás a escrever, começa por aí: pesquisa o que o teu leitor procura e deixa que isso dê forma ao livro. E se quiseres escrevê-lo com uma IA que se lembra do livro inteiro enquanto avanças, experimenta o YourNovel.app.